• ter. set 22nd, 2026

Setembro Amarelo: Fique atento aos sinais que pedem ajuda

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A observação de comportamentos como isolamento, alterações na rotina e menções à morte pode indicar a necessidade de atenção e escuta; especialista dá orientações sobre como prestar apoio sem julgamentos.

Setembro é o mês voltado para a sensibilização sobre a prevenção do suicídio. Nesse contexto, identificar mudanças no comportamento e saber como oferecer suporte pode ser crucial para aqueles que estão lidando com angústias emocionais.

Eliana Farias, coordenadora da psicologia no Centro Universitário Braz Cubas, explica que não existe um único sinal que indique que uma pessoa está em risco. A observação deve se concentrar em transformações significativas em seu comportamento habitual.

Expressões relacionadas ao desejo de desaparecer, à morte ou à falta de esperança em relação ao futuro são sinais que merecem atenção especial. A especialista reforça que tais indícios não devem ser interpretados como um diagnóstico definitivo e não permitem, por si só, prever comportamentos suicidas. “Esses sinais mostram que essa pessoa precisa ser ouvida e, dependendo da situação, deve ser avaliada por um profissional”, afirma.

Para amigos e familiares, o primeiro passo é ouvir sem emitir juízos ou tentar interpretar rapidamente a situação. A especialista sugere que é válido perguntar diretamente sobre pensamentos relativos à morte ou ao suicídio quando houver evidências que justifiquem essa preocupação. “Fazer perguntas não leva uma pessoa ao suicídio. Na verdade, uma abordagem aberta e cuidadosa pode aliviar a ansiedade, promover a comunicação e permitir o reconhecimento do sofrimento”, ressalta.

Mudanças mais sutis também podem passar despercebidas. Alguém que costumava ser sociável e começa a evitar interações sociais ou que abandona atividades prazerosas pode estar sinalizando uma necessidade de ajuda. Além disso, variações na alimentação ou no sono, aumento da irritabilidade e mudanças nas relações interpessoais também precisam ser notadas.

Durante diálogos com alguém vulnerável, algumas expressões podem intensificar o desconforto dessa pessoa. Frases como “isso é falta de força de vontade” ou “tem pessoas passando por situações muito piores” podem desvalorizar os sentimentos dela. Evitar sermões, julgamentos e soluções simplistas é fundamental.

“É importante não encarar expressões de sofrimento como uma tentativa de chamar atenção ou drama. Qualquer menção à morte deve ser levada a sério, mesmo sem entendermos completamente as intenções da pessoa”, enfatiza a especialista.

Oferecer suporte não implica assumir todo o peso da responsabilidade pelo cuidado da outra pessoa. Amigos e familiares podem proporcionar companhia, escuta atenta e assistência prática para ajudar na busca por atendimento especializado. Acompanhar alguém durante uma consulta médica ou auxiliar na localização de serviços de saúde são maneiras eficazes de contribuir sem substituir os profissionais qualificados.

A procura por ajuda especializada se torna necessária quando o sofrimento começa a impactar significativamente a rotina diária, relacionamentos, vida acadêmica ou profissional, além do sono e alimentação. Um histórico de tentativas de suicídio, autolesões e uso problemático de substâncias também requer atenção imediata.

Em situações com risco iminente à vida, a prioridade deve ser sempre preservar a vida da pessoa. É crucial evitar deixá-la sozinha e buscar atendimento urgente. Nos casos de tentativas suicidas ou planos concretos para tal ação, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pode ser contatado pelo telefone 192. Alternativamente, é possível ir até uma UPA, pronto-socorro ou hospital.

Para aqueles que buscam um espaço para conversar e receber apoio emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito pelo telefone 188 durante 24 horas. Porém, em situações críticas iminentes, o atendimento emergencial deve ser priorizado.

O alerta sobre os sinais que demandam atenção durante o Setembro Amarelo foi publicado primeiramente em A Semana.

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