• qua. jul 22nd, 2026

    Plataforma de IA amplia o papel do videomonitoramento na prevenção de crimes

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    Com o lançamento do Hórus, sua nova ferramenta de IA em nuvem, a Camerite transforma imagens em informação estratégica capaz de apoiar investigações e acelerar decisões

    Durante décadas, o setor evoluiu em quantidade, mas pouco em inteligência. Câmeras ficaram mais baratas, a resolução melhorou, a capacidade de armazenamento cresceu e cidades, empresas e condomínios passaram a instalar milhares de equipamentos. Um problema, porém, seguiu praticamente intacto: encontrar, em meio a centenas ou milhares de horas de gravação, o momento exato que importa.

    É essa lógica que começa a mudar com o avanço da inteligência artificial aplicada ao videomonitoramento. As novas plataformas, além de gravar, agora passam a compreender o que veem, organizando informações, identificando padrões e viabilizando pesquisas impensáveis até poucos anos atrás.

    Nesse cenário, a Camerite, maior rede de videomonitoramento da América Latina, apresenta o Hórus, uma plataforma de IA desenvolvida para transformar grandes volumes de vídeo em informações estruturadas, permitindo localizar pessoas, veículos e objetos em poucos minutos, ainda que tenham passado por dezenas de câmeras diferentes. A proposta representa uma virada importante para um setor historicamente associado ao simples armazenamento de imagens.

    Segundo Vinicius Romano, CEO da Camerite, o crescimento acelerado das redes de monitoramento trouxe um grande desafio para empresas e órgãos públicos. “Nos últimos anos, vimos uma explosão na quantidade de câmeras instaladas. Isso aumentou significativamente a capacidade de registrar acontecimentos, mas também criou um problema novo: ninguém consegue analisar, manualmente, todo esse volume de informação. A inteligência artificial surge justamente para transformar imagens em conhecimento e permitir que as pessoas encontrem respostas em minutos, não mais depois de horas de busca”, salienta.

    Inteligência artificial amplia potencial das tecnologias de segurança

    Criada em 2012, a Camerite acompanha essa transformação desde o início da última década. Nasceu oferecendo soluções de videomonitoramento, mas redirecionou seus investimentos para a IA aplicada às imagens, desenvolvendo tecnologias que ampliam o valor estratégico de sistemas já existentes.

    O Hórus é um dos passos mais relevantes dessa evolução. Em vez de operar apenas como sistema de gravação, ele interpreta automaticamente o que aparece nas imagens captadas pelas câmeras, o que, na prática, tira do operador a tarefa de vasculhar manualmente cada ocorrência e a substitui por pesquisas inteligentes. Com ele, é possível selecionar um período específico, definir quais câmeras serão analisadas e aplicar filtros, que refinam a busca conforme as características desejadas.

    Se o objetivo é localizar uma bicicleta usada durante uma ocorrência, por exemplo, a pesquisa pode considerar sua cor. Quando a investigação envolve veículos motorizados, a identificação ocorre por categoria, sem depender de informações exatas sobre modelo ou fabricante. No caso de pessoas, a busca combina critérios como faixa etária estimada, gênero, cor das roupas e uso de mochila, chapéu ou óculos, possibilitando localizar rapidamente quem passou por diferentes ambientes monitorados.

    Chama atenção também a capacidade de reconstruir trajetórias automaticamente, já que, em vez de vasculhar câmera por câmera para descobrir o caminho percorrido por um suspeito, o sistema conecta os diferentes registros e apresenta, em um mapa interativo, todo o deslocamento entre os pontos monitorados, apresentando uma investigação bem mais rápida, sobretudo em ambientes com dezenas ou centenas de equipamentos espalhados por grandes áreas.

    Essa capacidade ganha peso num momento em que cidades inteligentes, empresas e operações logísticas produzem volumes crescentes de imagens todos os dias. Estimativas do mercado global de segurança eletrônica apontam que a combinação entre videomonitoramento e inteligência artificial deve liderar a próxima geração de investimentos do setor, justamente por resolver um dos maiores gargalos da atividade: transformar imagens em informação útil.

    Tal mudança de paradigma também altera a forma como organizações públicas e privadas encaram o próprio investimento em videomonitoramento. Se antes o valor estava concentrado na compra de equipamentos e na ampliação da cobertura de câmeras, agora o diferencial competitivo passa a ser a capacidade de extrair inteligência das imagens já captadas.

    No caso do Hórus, além da busca inteligente por pessoas, veículos e objetos, ele foi projetado para operar sobre infraestruturas já existentes. Por ser compatível com diferentes marcas de câmeras, seus compradores podem incorporar recursos de inteligência artificial sem substituir equipamentos já instalados, o que reduz custos e acelera a adoção da tecnologia.

    A capacidade de integração amplia as possibilidades de uso do Hórus em diferentes segmentos. No ambiente corporativo, a tecnologia pode apoiar investigações internas, identificar movimentações específicas e reduzir o tempo gasto na localização de registros importantes. Em condomínios, facilita a recuperação de eventos ligados ao controle de acesso e à circulação de moradores e visitantes. Já em operações logísticas e industriais, ajuda a localizar ocorrências em áreas extensas monitoradas simultaneamente por dezenas de câmeras. No setor público, onde grandes volumes de imagens são produzidos diariamente, ferramentas de pesquisa inteligente representam um avanço para as equipes de monitoramento urbano, permitindo respostas mais rápidas em processos investigativos e maior eficiência na organização das informações.

    Esse movimento acompanha uma transformação global impulsionada pelo avanço da inteligência artificial generativa e das tecnologias de visão computacional, que vêm redefinindo setores como saúde, indústria, logística e segurança. Para Romano, essa transformação ainda está apenas no início: “O verdadeiro valor do videomonitoramento nunca esteve apenas nas imagens armazenadas, mas no que elas podem revelar. A inteligência artificial muda completamente essa relação porque permite transformar vídeos em informação organizada, acessível e acionável. É uma evolução natural da tecnologia e um caminho sem volta para quem busca eficiência operacional e segurança. A aposta da Camerite no Hórus segue essa visão de futuro”, finaliza.

    Luciana Verissimo
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