Saúde

Crescimento e desconforto: Quando buscar ajuda para a dor infantil?

Ortopedista orienta sobre os sinais que devem ser observados pelos pais e o momento de buscar ajuda especializada

A dor nas pernas é uma queixa frequente entre crianças, especialmente ao final do dia ou durante a noite, muitas vezes associada ao crescimento. No entanto, essa relação nem sempre é válida. A localização da dor, sua intensidade e principalmente alterações na maneira de andar, correr ou brincar são fatores que ajudam a determinar se a criança precisa de uma avaliação médica.

As chamadas “dores do crescimento” tendem a ocorrer nas duas pernas, com maior incidência nas coxas, panturrilhas ou na parte posterior dos joelhos. Apesar do nome popular, não há provas concretas de que sejam causadas diretamente pelo crescimento ósseo. Comumente, as crianças sentem desconforto à noite, mas acordam no dia seguinte sem dor, sem apresentar claudicação e seguem normalmente com suas atividades diárias.

De acordo com Rodrigo Sbeghen Pascoalino, ortopedista pediátrico do Imot, observar como a criança se comporta entre os episódios de dor é essencial para os pais: “O padrão da dor oferece informações valiosas. Se a criança acorda bem disposta, sem limitações e continua brincando normalmente, isso é diferente de quando a dor começa a afetar sua rotina”, esclarece.

Entretanto, algumas características devem ser observadas com atenção. Dor que persiste ou aumenta com o tempo, desconforto localizado em um único ponto ou apenas em uma das pernas, além de inchaço, vermelhidão, febre e dificuldade para mover-se são sinais que requerem avaliação médica imediata. Isso também se aplica quando a dor se estende ao longo do dia ou impede a criança de correr e brincar como costumava fazer.

Sintomas nos membros inferiores podem ser causados por dores musculares, sobrecarga devido à prática esportiva, pequenos traumas ou condições ortopédicas específicas da infância. Por isso, mais importante do que tentar diagnosticar em casa é observar qualquer alteração no comportamento ou na mobilidade da criança. Durante uma consulta, o ortopedista pode avaliar aspectos como marcha, articulações e desenvolvimento musculoesquelético e decidir se exames adicionais são necessários com base nos achados clínicos.

“Nem toda dor nas pernas deve gerar preocupação ou levar automaticamente à realização de exames. O que realmente importa é perceber quando essa dor foge do padrão habitual, persiste por muito tempo ou limita as atividades da criança. Nesses casos, uma avaliação pode ajudar a entender a origem da queixa e determinar se é preciso investigar mais”, conclui o especialista.

O conteúdo sobre dores relacionadas ao crescimento: saiba quando elas exigem atenção apareceu primeiro em A Semana.

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