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    Cliente diz ter perdido R$ 600 mil de aposentadoria ao investir em corretora acusada de golpe em Ribeirão Preto

    ByReporter sp

    fev 5, 2026
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    Homem é uma das 600 pessoas que, segundo o Ministério Público Federal, fizeram aplicações na Mercatore ou na Meca Investimentos e ficaram sem acesso aos aportes. Empresários responderão por crimes financeiros e associação criminosa.

    identificado afirma ter perdido R$ 600 mil de reservas destinadas à sua aposentadoria ao fazer aplicações na Mercatore Investimentos, com sócios que foram denunciados pela Justiça Federal de Ribeirão Preto (SP) e acusados de sumirem com o dinheiro dos investidores.

     

    “Hoje, se for corrigir o dinheiro, já está em mais de R$ 1,2 milhão, eu acredito, mas na época foram R$ 600 mil, todo fundo de aposentadoria que eu tinha foi embora”, afirmou, em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo.

     

    Ele é uma das mais de 600 pessoas que, segundo o Ministério Público Federal, fizeram aplicações na Mercatore ou na Meca, corretoras ligadas aos empresários Breno Pignata, Felipe Rassi e Edilson Games, que acabam de se tornar réus por crimes financeiros e associação criminosa.

     

     

    Procurado pela reportagem, Felipe Rassi disse que foi vítima da Mercatore e também teve prejuízos. O advogado de Edilson Games disse que mandaria uma resposta, mas não se posicionou até a publicação desta notícia. A reportagem não conseguiu falar com Breno Pignata.

    Cliente afirma ter perdido R$ 600 mil ao investir na Mercatore, em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Reprodução/EPTV

     

    ‘Não tinha mais ninguém’

     

    O cliente entrevistado pela reportagem afirma que, ao fazer o aporte de R$ 600 mil, chegou a receber rendimentos por um mês, mas depois a situação ficou estranha.

    Segundo ele, ao pedir novos resgates, ele não teve mais respostas e não encontrou ninguém no escritório da corretora, que estava fechado.

     

     

    “Três anos atrás eu fiz uma tentativa de saque e aí o saque não ocorreu. e aí eu tive lá na empresa, já não tinha mais ninguém. (…) Ele tinha um andar inteiro de aluguel. Era uma empresa bonita, toda decorada e aí evaporou tudo”, diz.

     

    O homem ainda conta que, antes de isso acontecer, chegou a indicar familiares e amigos para investir na corretora.

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    “Eles têm um mecanismo de computação que você vai sendo levado, porque tem o meu irmão também sofreu perdas, você tem os amigos que vão indo e um leva o outro. Você acredita que está tudo bem, a rentabilização, ela é muito alta”, diz.

    Uma mulher que também preferiu não ser identificada afirmou ter perdido R$ 300 mil na Mercatore. Segundo ela, os responsáveis eram articulados e davam muitas informações para aumentar a confiança dos clientes.

     

    “Eles eram muito convincentes, falavam como se fosse gerente de banco. Explicavam muito, até a gente conseguir entender, eles explicavam para onde iam os investimentos e tudo mais”, afirma.

     

    Denunciados na Justiça Federal

     

    De acordo com a denúncia do MPF, os réus captaram recursos financeiros de mais de 600 pessoas, as convencendo a investir em um fundo de investimentos próprio da Mercatore e/ou da Meca. Segundo a Polícia Federal, foram ao menos 527 transações entre julho de 2018 e novembro de 2021 realizadas sem respeitar os contratos de prestação de serviços firmados com os clientes.

    Além de promessas de rentabilidades atrativas e prejuízos limitados, os acusados prometiam um “fundo garantidor próprio”, semelhante ao Fundo Garantidor de Créditos da Bolsa de Valores, mas posteriormente impediram os clientes de resgatar o capital investido, segundo o Ministério Público Federal.

     

    De acordo com a denúncia, parte dos valores recebidos pela Mercatore foi destinada a empresas de capital fechado e em estágio embrionário ligadas direta ou indiretamente aos denunciados, “cujos valores recebidos acabaram dissipados sem qualquer retorno aos investidores.”

    Outra parte, segundo a ação, foi direcionada a aplicações de elevado risco na Bolsa e resultaram em um prejuízo de R$ 16,1 milhões.

    A denúncia cita que, apesar de os investidores terem tido acesso a resgates parciais na Mercatore, a maioria foi privada de parte ou do total do patrimônio investido quando a empresa encerrou as atividades ao ser alvo de pedidos de liquidação de investimentos.

    Segundo a acusação, Breno chegou a oferecer um plano de recuperação extrajudicial, mas não cumpriu o prometido.

    Redes sociais da Mercatore, acusado de sumir com investimentos de clientes em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Reprodução/EPTV

     

    Os problemas e as operações não autorizadas, de acordo com o MPF, prosseguiram na Meca Investimentos, empresa que foi aberta por Felipe e o assessor Edilson e para onde eles levaram parte dos clientes que eram da Mercatore.

    A denúncia ainda observa que, apesar da ruptura da sociedade entre Felipe e Breno em 2020, os contratos investigados mostram que Mercatore e Meca “mantinham uma relação simbiótica”.

    Ao término das investigações, o Ministério Público Federal denunciou os empresários por atuarem como assessores de investimento sem autorização, por praticarem gestão temerária, além de apropriação indébita de valores.

    Na decisão expedida em janeiro, a juíza federal Milenna Marjorie Fonseca da Cunha tornou os três investigados réus.

    Um ou mais vão responder por crimes associados a gestão fraudulenta, apropriação indébita e negociação de valores mobiliários sem autorização ou registro, além de associação criminosa.

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