• ter. jun 23rd, 2026

    Academico da UMC emite alerta sobre os riscos dos anabolizantes

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    A recente morte do fisiculturista Gabriel Ganley trouxe à tona a discussão sobre os perigos associados ao uso de esteroides anabolizantes. O médico e professor da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Marco Aurélio Marins Aguiar, enfatiza que não há uma dose segura desses compostos para o aumento da massa muscular. Ele alerta que “o uso dessas substâncias pode resultar em efeitos colaterais graves, como insuficiência cardíaca, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e infertilidade”.

    Gabriel Ganley, influenciador digital e fisiculturista, foi encontrado sem vida no dia 23 de maio. Com uma base de 1,7 milhão de seguidores no Instagram, ele compartilhava conteúdos relacionados à musculação e ao condicionamento físico. A causa da morte foi identificada como cardiomiopatia hipertrófica, uma condição que pode estar associada ao consumo de anabolizantes.

    O professor Aguiar explica que os esteroides têm a capacidade de estimular o crescimento celular ou tecidual e estão presentes naturalmente no organismo humano. “Contudo, eles só devem ser utilizados em casos comprovados de deficiência hormonal, sempre em doses fisiológicas adequadas para manter os níveis hormonais normais”, esclarece.

    Ele também menciona que a utilização de esteroides para fins estéticos ou aumento da massa muscular é vedada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), conforme a resolução 2.333/2023:

    “É importante ressaltar que muitas pessoas utilizam anabolizantes com base em diagnósticos imprecisos de deficiência hormonal e administram doses elevadas sem comprovação real dessa deficiência”, observa.

    Aguiar destaca que a testosterona é um hormônio natural com propriedades anabolizantes nos homens, enquanto nas mulheres, essa função é desempenhada pelo estrogênio.

    Riscos
    “Quando se considera o uso de anabolizantes para fins estéticos, eles podem provocar um aumento na massa muscular mais rapidamente do que apenas com exercícios físicos”, explica o especialista.

    Entretanto, o uso inadequado dessas substâncias pode resultar em consequências severas tanto a curto quanto a longo prazo: há um risco elevado de problemas cardiovasculares graves, incluindo infarto do miocárdio e AVC, além de possíveis cânceres, especialmente no fígado.

    Além disso, mudanças comportamentais podem ocorrer, como irritabilidade e agressividade aumentadas, além do surgimento de calvície, acne e acúmulo de gordura no fígado em indivíduos dos dois sexos.

    “Nos homens, os efeitos colaterais incluem atrofia testicular, infertilidade e aumento das mamas. Já nas mulheres, podem ocorrer alterações permanentes na voz, aumento significativo do clitóris e atrofia mamária”, aponta o médico da UMC.

    Academia faz bem?
    O docente enfatiza que a prática de musculação é benéfica à saúde e contribui para o ganho ou manutenção da massa muscular, melhorando assim a qualidade de vida em qualquer fase da vida sob orientação profissional.

    Ele adverte: “A musculação aliada a exercícios aeróbicos constitui uma ótima estratégia para preservar a saúde em geral. O que não deve acontecer é o uso de substâncias que possam comprometer a saúde apenas para acelerar o processo de ganho muscular”, conclui.

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