Justiça

Ministério Público solicita inclusão de ex-fiscal da Fazenda, luxuosamente residente nos EUA, na lista de procurados da Interpol.

O Ministério Público de São Paulo solicitou à Justiça a inclusão de Alberto Toshio Murakami, ex-fiscal da Secretaria da Fazenda estadual, na Difusão Vermelha da Interpol, um mecanismo utilizado para localizar e prender foragidos internacionais. Além disso, o MP requisitou sua prisão.

De acordo com a Promotoria, Murakami deixou o Brasil e está atualmente residindo em uma casa no estado de Maryland, nos Estados Unidos, avaliada em US$ 1,3 milhão (equivalente a R$ 6.968.112,00).

Murakami é apontado como um dos participantes de um esquema de corrupção e fraudes fiscais que teria desviado centenas de milhões de reais por meio da liberação irregular de créditos de ICMS para empresas, incluindo a rede de farmácias Ultrafarma.

O ex-fiscal está foragido e, segundo o MP, sua localização é desconhecida, razão pela qual o órgão solicitou a cooperação internacional para sua captura.

Conforme a denúncia apresentada pelo Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (Gedec), Murakami atuou entre 2021 e 2025 como agente fiscal de rendas do estado de São Paulo e, durante esse período, recebeu propina para favorecer a Ultrafarma na análise e aprovação de pedidos de ressarcimento de créditos de ICMS-ST.

A investigação também aponta que Murakami e outro fiscal da Secretaria da Fazenda, chamado Artur Gomes da Silva, colaboravam para aprovar a restituição de ICMS sobre estoques fictícios em troca de propina.

Murakami se aposentou da Secretaria da Fazenda em janeiro do ano passado, o que, para os promotores, aumenta o risco de fuga definitiva, fortalecendo a necessidade de medidas mais rigorosas para assegurar a aplicação da lei penal.

Um total de oito pessoas foram denunciadas pelo MP-SP por suspeita de envolvimento no esquema de fraudes na Sefaz-SP, incluindo Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, e os fiscais Artur Gomes da Silva e Alberto Toshio Murakami.

O diretor fiscal e contábil da Ultrafarma, Rogério Barbosa Caraça, e a assistente pessoal do empresário, Jane Gonçalves do Nascimento, também foram denunciados pelos promotores.

Segundo a denúncia, Jane auxiliava Sidney Oliveira no pagamento de propina aos fiscais, enquanto Rogério executava tarefas operacionais para obter o ressarcimento de créditos fiscais pela Ultrafarma.

Os promotores afirmam ainda que Artur Gomes da Silva usou a empresa de sua mãe para cometer as fraudes, resultando em um aumento substancial do patrimônio da empresa em apenas dois anos.

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